O Brasil é o maior produtor mundial de café, cana de açúcar, suco de laranja e o segundo maior em soja, mandioca, e por aí vai. Como terceiro maior produtor de alimentos do mundo, atrás apenas da China e Estados Unidos, é de se esperar que a comida consumida diariamente por nós, brasileiros, seja dos grandes produtores e exportadores, correto? Errado.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a agricultura familiar, atualmente carro-chefe da economia brasileira, tem avançado internamente, sendo responsável pelo abastecimento de mais de 50% da população. Portanto, quando você se senta à mesa para suas refeições, você está sendo alimentado pelo pequeno produtor brasileiro. Isso porque os grandes conglomerados destinam a maior parte da produção à exportação.

O estado de Minas Gerais, por exemplo, conta com mais de 350 mil propriedades com a prática da agricultura familiar, e a diversidade climática, de solo e biomas permite uma variedade de produção.

Glênio Mariano, presidente da Emater-MG, atribui à esse tipo de agricultura um importante papel social e econômico e afirma que o segmento vem se tornando uma das portas de entrada do país no movimento de valorização dos produtos artesanais.

“É lamentável que os governos não meçam separadamente o PIB (Produto Interno Bruto, o conjunto da produção de bens e serviços) agropecuário específico da agricultura familiar, setor que está na dianteira das transformações tecnológicas de sustentabilidade. É diversa, é forte, gera emprego e grande parte dos alimentos saudáveis”.

A agricultura familiar tem dinâmica e características distintas em comparação à agricultura dos grandes produtores. Nela, a propriedade é gerida e compartilhada pelas famílias e a principal fonte de renda é a atividade produtiva.