Após dois anos em queda, a economia brasileira parece ter recuperado o crescimento. A agropecuária e o consumo das famílias ajudaram no resultado do PIB, que cresceu 1% em 2017.

Sendo de longe a principal responsável pela reação dos números, a agropecuária teve alta de 13%.

“Com o 1% de crescimento do PIB, 0,7% foi devido à agropecuária. Os outros 0,3% ficaram espalhados em 0,2% serviços, que apesar de terem tido um crescimento bastante modesto no ano, de 0,3%, têm um peso muito grande na economia”, explicou a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

A produção de milho cresceu impressionantes 55%. Depois vieram a soja, com quase 20% e a laranja, com 8%. Esse desempenho do campo é ainda mais impressionante se comparado com o da indústria, que apesar de alguns avanços, ficou estagnado em 2017.

O crescimento de 1% vem como um alívio depois desse período de dois anos em queda, mas o número ainda é muito pequeno, especialmente quando comparado a outros países. No ranking de crescimento das principais economias do mundo, o Brasil aparece em último lugar.

E se compararmos as oscilações do PIB brasileiro nos últimos anos, é como se o Brasil tivesse parado no tempo. Só agora voltamos ao nível produtivo de 2011.

 “É como se, na verdade, a gente tivesse apagado o período do meio. A gente ainda vai precisar de mais esforço para conseguir voltar onde a gente estava no início da década. Então, é a definição de uma década perdida. Alguém que fosse dormir em 2011 e acordasse 2017 ia descobrir que não tinha tido nenhum desenvolvimento nesse meio tempo”, disse Armando Castelar, pesquisador da FGV/IBRE.

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Mudança nas atitudes do consumidor

O consumo das famílias cresceu no ritmo do PIB. A praça de alimentação é um laboratório para os economistas, pois uma das primeiras atitudes do consumidor, quando sobra dinheiro, é passar a comer fora de casa. Por isso, esse é um setor sensível às mínimas oscilações da economia.

O empresário Luiz Sérgio Ferreira da Costa, que abriu um restaurante em 2011, conseguiu ampliar sua rede nos primeiros anos. Mas, na crise, o dono teve que sair de trás da mesa e ir para trás das panelas, a fim de melhorar a produtividade. Ele aprendeu nos tempos difíceis:

“E graças a Deus a gente está saindo da crise com esses aprendizados, essa melhora na nossa operação, e, com certeza, o mercado voltando a gente vai conseguir crescer mais”, afirma o empresário.

O crescimento do PIB pode não ser muito, mas é significativo como aquele velho cliente que andava sumido e reapareceu. Que o PIB faça como ele e venha cada vez com mais fome.