Utilizando uma analogia antiga e que muito provavelmente todos já tenham ouvido pelo menos uma vez na vida, a luz no fim do túnel da situação crítica da economia brasileira aparenta já estar visível aos olhos do mercado. Ainda assim, se faz necessário analisar que, embora próxima, ainda há um caminho a ser percorrido antes de, de fato, sair desse túnel ingrato. O futuro previsto é bom e farto, com muitas oportunidades e mais segurança, mas só poderá aproveitar dele quem completar o trajeto em direção à luz.

 

A melhora da economia brasileira vai demorar um pouco mais do que se esperava. Pelo menos é assim que o assunto está sendo tratado essa semana – bem diferente do que se viu sete dias atrás, quando muitos economistas já viam o país livre da recessão ainda em 2016. Agora esperado nos primeiros meses de 2017, o crescimento da atividade econômica deve vir um pouco mais estável e sólido, embora ainda com muita desconfiança.

Os motivos do adiamento da melhora giram, principalmente, em torno das ações que o novo governo tem sugerido que, mesmo que benéficas à economia, ainda geram temor quanto ao modo como serão aplicadas e qual será o impacto a curto prazo. Com uma economia em baixa, o país não pode se dar ao luxo de desperdiçar oportunidades de uma retomada, ainda que branda.

A expectativa de melhora pós recessão é ainda maior levando-se em conta que diversos são os investidores que esperam o país se reequilibrar para voltar a colocar seu dinheiro em terras tupiniquins. A taxa de juros – que aguarda revisão do Banco Central, provavelmente para baixo – do Brasil garante a eles que o investimento seja assertivo, tanto que muitos deles têm, inclusive, evitado de colocar seu dinheiro em outros lugares à espera desse “novo Brasil”.

Ao que tudo indica, a melhora da situação econômica do país é irreversível e deve ocorrer, ainda que mais tarde do que se esperava. Este é o momento de separar os grandes dos pequenos e os estruturados dos nem tanto. A quem conseguir sobreviver a mais alguns meses de recessão um grande mercado louco por consumo os espera, mas nem todos conseguirão cumprir a árdua tarefa de se levar por mais seis meses em um país quase que parado.