Com a instabilidade do mercado os investimentos na frota caíram e os empresários já consideram 2016 como um ano perdido.

Em um país como o Brasil, onde grande parte de seu transporte de produtos é feito através da malha rodoviária, é inevitável que não somente as montadoras mas também a indústria de implementos rodoviários se beneficie. Ainda assim a retração que o mercado automotivo sofreu atingiu todos os segmentos, inclusive o de implementos.

Para se ter uma ideia, segundo relatório da ANFIR – Associação Nacional de Fabricantes de Implementos Rodoviários – esse segmento registrou 26.336 unidades emplacadas de janeiro a maio de 2016, enquanto 37.968 haviam sido entregues no mesmo período de 2015, com uma significativa queda de 30,64%.

A queda também se baseia na crise política e econômica que o Brasil se encontra, porém as justificativas podem influenciar de forma mais indireta. Explica-se, com o mercado desaquecido o consumo acaba por diminuir; com a queda no consumo as entregas baixam; sem entregas não há investimentos em estrutura por parte das transportadoras e, consequentemente, diminui o mercado dos implementos.

Há de se dizer, entretanto, que não são todos os implementos que apresentam quedas em suas vendas, visto que, ainda segundo a ANFIR, os modelos de granelereiro, canavieiro, dolly e tanque de alumínio tiveram vendas em 2016 superiores ao ano passado. Isso se explica pela forma como cada mercado enfrentou a crise e quais as motivações promocionais que as montadoras puderam oferecer a seus clientes. Outro setor que apresentou crescimento foi o de exportação, que em 2015 emplacou 855 unidades e em 2016 obteve um crescimento de 35,44%, alcançando a marca de 1.158 unidades emplacadas de janeiro a maio.

Ainda assim a previsão para o resto do ano não é animadora, indicando que o mercado desaquecido como está não terá forças para se reerguer em um período tão curto. Grandes montadoras e especialistas já se preparam para 2017 por considerarem que 2016 já é um ano perdido para o setor.