Estudo feito pelo Robobank, maior banco cooperativo do setor de alimentos e do agronegócio do mundo, apresenta as previsões para as principais culturas do mercado agrícola no país. Segundo relatório divulgado, as perspectivas para este ano são positivas.

Para o mercado da soja, a previsão é que o Brasil alcance a segunda maior produção de sua história. Com o aumento da mistura mandatória de biodiesel no diesel, prevista para março, a demanda pelo grão para a produção do óleo deve subir.

O mesmo não acontece com a produção brasileira de milho, que é estimada em 88mi de toneladas, 10% menor que o ciclo anterior. Mesmo assim, a previsão é boa, visto o impulsionamento do consumo do milho pelo crescimento da produção de carnes e pela demanda da nova usina de etanol no estado do Mato Grosso. Além disso, a queda dos estoques deve sustentar os preços no mercado internacional.

Na safra de algodão, a perspectiva é de aumento de produtividade dos principais países produtores, consequentemente o crescimento dos estoques globais. Internamente, a perspectiva é que área volte a crescer, após duas safras seguidas de retração. O estudo ainda prevê um aumento de 10% na produção brasileira, em relação à safra anterior, chegando a 1,7 milhão de toneladas de pluma.

Segundo indicações do estudo, no mercado da cana, a expectativa é de uma safra mais voltada à produção de álcool em 2018, devido às medidas adotadas pelo governo em 2017. O aumento do PIS/COFINS de combustíveis e da tarifa de importação de etanol deve conferir maior competitividade para o produto. Entretanto, é importante se atentar às variações do câmbio e do petróleo, que podem prejudicar a competitividade da cultura.

Já na safra de café, o Brasil apresenta um bom potencial produtivo. A expectativa é de alta na produção, com estimativa de uma colheita total entre 57 milhões e 59 milhões de sacas. Para que essa previsão se concretize a manutenção das chuvas é fator fundamental.

Em relação ao consumo global, a previsão é de um crescimento de 2,4%, em comparação a 2016/17. No Brasil, a recuperação econômica deve colaborar com o aumento do consumo. A volatilidade no mercado, gerada pelas incertezas quanto ao regime de chuvas, e a perspectiva de oscilação no câmbio, devido ao ano eleitoral, podem gerar oportunidades. Contudo, os elevados preços de 2016 e 2017 dificilmente se repetirão.

 

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La Niña é motivo de preocupação

Em relação ao clima, merece atenção a crescente probabilidade de ocorrência do evento La Niña, visto que modelos climáticos norte-americanos (NOAA) indicam a possibilidade a partir de fevereiro, o que poderia gerar diminuição no volume de chuvas.

O fenômeno La Ninã ocorre devido ao resfriamento das águas no Oceano Pacífico Equatorial (em média 2 a 3°C). Com ventos mais intensos, maiores quantidades de águas quentes ficarão “represadas” no Pacífico Equatorial Oeste, aumentando desta maneira a ressurgência, trazendo águas mais frias próximas à costa do Equador e Peru. As consequências destas mudanças proporcionam alterações dos padrões climáticos a nível regional e mundial.

Na região Nordeste do Brasil, o La Niña causa aumento das chuvas no verão. Já na região Centro-Sul e Sudeste, observa-se o atraso do início das chuvas.

Para o setor agrícola, tal acontecimento afeta fortemente o desenvolvimento das plantas, principalmente pela falta de água no solo, ocasionando redução na área foliar, menor absorção de nutrientes do solo, perda de turgidez, abortamento de flores, antecipação do ciclo de culturas, entre outros, culminando em perdas significativas na produtividade. Portanto, apesar das perspectivas positivas, deve-se contar fortemente com a recuperação de condições climáticas favoráveis.