Confusão entre meteorologistas deixa o agricultor confuso. Afinal de contas, o fenômeno climático ocorrerá ou não?

Muito se fala na agricultura sobre dois fenômenos que podem afetar, e muito, as condições de plantio e colheita para os produtores. O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, enquanto a La Niña representa o oposto, o resfriamento das águas. Seus efeitos no Brasil são de chuvas abundantes nas regiões Norte e Nordeste, ajudando o semiárido – porém causando enchentes em alguns lugares – e de secas intensas na região sul, que, junto ao aumento de temperatura, traz danos sérios à atividade agrícola da região.

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Acontece que esse ano o fenômeno está confundindo a cabeça dos meteorologistas, visto que enquanto alguns afirmam categoricamente que La Niña está chegando, outros não veem nenhum sinal palpável da aparição desses resfriamentos nas águas. Essa dúvida está fazendo com que muitos produtores não consigam se preparar para o ano que vem, não podendo, inclusive, prever a safra que conseguirão colher em 2017.

Ao analisar os dados mais racionalmente, é possível identificar que, a princípio, ocorrerá sim o resfriamento das águas previsto por muitos meteorologistas, porém esse resfriamento se dará de forma mais branda. De acordo com a Universidade de Columbia e a NOAA (Agência Nacional Oceânica e Atmosférica) a queda da temperatura das águas do Pacífico não será tão intensa, pelo menos não tanto para atingir os -0,5ºC durante seis meses necessários para se configurar o fenômeno.

Por conta desses dados, espera-se que os efeitos sejam sentidos mais severamente no verão de 2017, quando haverá um crescimento nos índices de chuvas na região Centro-Norte. O Sul, por outro lado, viverá algo diferente do que tem visto nos últimos anos, quando o acumulado de precipitação foi acima da média. Outra situação que pode ocorrer é o atraso das primeiras chuvas, que deveriam coincidir com o plantio, e o prolongamento das chuvas no final da colheita, interferindo negativamente na safra do ano.

Enquanto os meteorologistas esperam por sinais mais claros da aparição ou não do fenômeno, cabe ao agricultor se preparar para as situações mais diversas possíveis. A chuva intensa, ou a falta dela, pode ocorrer e afetará a todos aqueles que não se prepararam para as adversidades do clima, restando aos prevenidos um mercado mais enxuto de concorrentes do que o normal.