A queda na exportação do milho brasileiro é atribuída a diversos fatores. O aumento da disponibilidade interna, as boas expectativas acerca da segunda safra e a previsão de estoques finais maiores foram responsáveis por gerar a queda na cotação do milho no primeiro trimestre de 2017.

O cenário que se apresenta é bastante diferente do registrado no primeiro semestre de 2016, quando o clima adverso prejudicou a produção nacional e este fato, somado à grande procura pelo cereal, tanto no mercado interno como para exportação, enxugou os estoques internos e fez o preço do milho subir.

De acordo com pesquisa realizada pela Scot Consultoria, em comparação com o mesmo período do ano passado, a saca do milho está custando 41,6% menos. Outro fato importante é a queda da demanda interna pelo cereal. Especula-se sobre uma possível queda na produção de aves e suínos, em decorrência da operação da Polícia Federal chamada Carne Fraca, que poderia impactar diretamente na demanda por milho. A criação de aves e suínos correspondeu a mais de 80% da demanda por ração no Brasil em 2016, segundo informações do Sindirações.

A diminuição nas vendas da soja brasileira também contribuiu para o agravamento da situação, pois há falta de armazéns para estocar o milho colhido, resultando no aumento da pressão para a venda urgente do cereal a um preço bem reduzido.

Apesar desse cenário de grande oferta e demanda baixíssima, a situação do milho brasileiro é ainda uma incógnita e merece atenção, principalmente nos próximos meses.