Após período de incerteza e perda de investimentos, setor de construção civil começa a se reestruturar e sonhar com um 2017 melhor.

Com uma provável estabilização política – ainda que à espera das temidas delações – o Brasil começa a entrar nos trilhos, e alguns setores já apresentam sinais de uma melhora mais próxima. Ainda assim, as construtoras demonstram imensa cautela ao se apostar em uma recuperação. Com um cenário em que tudo pode mudar de um dia para o outro, ainda se considera arriscado investir em projetos que dependam do aquecimento econômico.

Com o fechamento do terceiro trimestre de 2016, algumas construtoras começam a soltar seus balanços comerciais, que indicam, em sua maioria, um avanço nas moradias populares – se comparado a 2015, porém ainda abaixo da média histórica – e uma estagnação de imóveis de valor agregado mais alto, assim como comerciais e industriais. Vale a pena destacar, entretanto, que a alta das moradias populares ainda é vista com desconfiança por parte dos investidores, que conseguem ver a venda em seus indicadores, mas ainda temem uma inadimplência que coloque em risco os lucros das empresas.

Algumas pessoas devem estar se perguntando como que os imóveis de valor mais baixo, destinados à população mais simples, estão vendo suas vendas crescerem, enquanto os imóveis mais luxuosos, aqueles destinados à parcela da população que não sofreu tanto os efeitos da crise, ainda patina nas vendas. Um dado que pode explicar esse acontecimento é o fato de os mais ricos enxergarem a compra de um imóvel como um investimento, e não como uma necessidade.

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Para deixar mais clara essa relação, vamos aos dados: Enquanto o mercado de propriedades imobiliárias de alto luxo cai no Brasil, principalmente nas grandes metrópoles do país, a venda de imóveis para brasileiros em Orlando, na Flórida, cresceu 15% no primeiro semestre desse ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A queda de aproximadamente 20% no dólar de janeiro a junho desse ano ajudou muitos brasileiros a realizarem o sonho de ter uma propriedade nos Estados Unidos, e ainda pagando menos do que em um imóvel semelhante aqui no Brasil. O valor médio dos imóveis comprados por brasileiros na Flórida é de 250 mil dólares o equivalente a 780 mil reais, na conversão atual.

Esses dados deixam claro que, embora melhorando e se reerguendo, o setor de construção civil no Brasil ainda não é considerado um bom investimento, nem por empresas estrangeiras nem pelos próprios brasileiros dispostos a investir. Espera-se para meados de 2017 uma melhora significativa do mercado, resultando em um maior número de empreendimentos e um melhor resultado para as construtoras. Cabe-se, entretanto, destacar que essa situação está diretamente atrelada ao momento político vivido pelo país, dependendo dele para se reinventar.