O Brasil concentra em torno de 12% de toda água doce do planeta, provenientes de lagos e rios distribuídos por todo seu território. A impressão é que pela quantidade de água a preocupação com o desperdício se faz desnecessária. Porém, a realidade é que a utilização desse recurso, somada às perdas na distribuição, trazem uma série de prejuízos, tanto ambientais quanto financeiros.

No país, a produção de alimentos é responsável por 72% do desperdício de água tratada, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO. Sem contar que, a utilização de agrotóxicos pela agricultura contaminam o solo e mananciais, diminuindo a quantidade de recursos hídricos.

Ainda segundo a organização, o setor agrícola é o que mais precisa da imposição de medidas de redução do consumo de água. Isso porque, cerca de 60% da água utilizada na irrigação é desperdiçada. Com a redução de apenas 10% dessa perda, seria possível abastecer o dobro da população mundial atual.

Pensando nisso, a Embrapa em parceria com a empresa Tecnicer, desenvolveu um sensor que promete zerar o desperdício de água na irrigação. Essa invenção, batizada de Saci (Sistema Automático de Controle de Irrigação), percebe as alterações de umidade no solo, liberando a quantidade exata de água necessária para o desenvolvimento das lavouras.

Pesquisadores explicam que a economia seria de até 50% do consumo de energia e água, isso porque o Saci aciona a irrigação somente nas áreas que precisam, em vez de irrigar toda a lavoura ao mesmo tempo, como ocorre atualmente nos sistemas convencionais.

“O objetivo é que o produto atenda a pequenos e grandes produtores que desenvolvem cultivo protegido irrigado, empresas de sistemas de irrigação que atuam com métodos de aspersão e localizado, além de agricultores em geral que adotam irrigação na lavoura,” afirma o cientista da Embrapa.